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oficial de Ubiratan D`Ambrosio |
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Concepção etnoantropológica de matemática |
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Etnomatemática: uma proposta pedagógica para a civilização em mudança [1] |
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Ubiratan D’Ambrosio [2] |
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Bom dia! Eu estou muito feliz com a oportunidade
de fazer a palestra final deste congresso, após quatro dias de trabalho
intenso e produtivo, num ambiente de grande cordialidade. Foram dias muito
proveitosos para todos nós. É importante lembrar que quando mencionei pela
primeira vez, no Grupo de Estudos e Pesquisa em Etnomatemática da Faculdade
de Educação da Universidade de São Paulo, coordenado pela Profa.
Maria do Carmo Domite, que seria interessante
realizarmos um congresso brasileiro de etnomatemática, a sugestão foi
imediatamente aceita pelo grupo, que assumiu a organização do evento. O
Primeiro Congresso Brasileiro de Etnomatemática - CBEm1
tornou-se um fato. Devo confessar que tenho
organizado vários congressos, mas esta é a primeira vez que, como
organizador, não organizei coisa alguma. O grupo me informava de como iam as
coisas e, sob a liderança da Maria do Carmo, a estrutura do congresso foi
tomando corpo. Pequenina de estatura, a Maria do Carmo revelou-se uma gigante
na capacidade de liderar a organização de um evento do porte deste CBEm1. O grupo de colaboradores nesse trabalho,
distribuindo e assumindo tarefas, revelou-se uma equipe de primeira. Difícil
mencionar um a um. Mas todos aqueles que estão aqui presentes e aqueles que
acompanharam as fases preparatórias e agora a realização do congresso podem
facilmente identificá-los. A todos parabenizo pelo
grande desempenho. O apoio decisivo da Faculdade de Educação da Universidade
de São Paulo e a parceria com a Sociedade Brasileira de Educação Matemática -
SBEM e várias outras formas de apoio e de colaboração tornaram possível este
evento, trazendo representantes de praticamente todo o país, e com uma
significativa participação internacional. É gratificante ver tanta gente aqui
reunida, alguns vindo de muito longe, apresentando trabalhos de incontestável
valor acadêmico e de grande relevância para a educação brasileira. Etnomatemática é um programa
de pesquisa em história e filosofia da Matemática, com óbvias
implicações pedagógicas. Nesses quatro
dias ouvimos excelentes projetos e resultados de pesquisas sobre
etnomatemática. Nesta palestra final vou tecer algumas considerações de
caráter geral que, acredito, são importantes para a etnomatmática,
para a própria matemática e para a educação em geral. Não posso deixar de lembrar a
todos vocês que a prioridade maior para a humanidade é alcançar a paz. Não
sem razão, a Organização das Nações Unidos decidiu
proclamar 2000 Ano Internacional da
Cultura de Paz. Também, a União Matemática Internacional proclamou 2000 Ano Internacional da Matemática. Sem paz
não haverá sobrevivência da humanidade, e não haverá mais matemática! Como
esses dois grandes propósitos se coordenam se atingir paz para a humanidade? Examinando a insegurança
total e o deplorável estado atual da humanidade, testemunhamos, pela nossa
própria experiência ou pelo que observamos na mídia, violações freqüentes da
paz, em todas as suas dimensões [militar, ambiental, social, interior], todas
possíveis somente pela utilização, perversa, de instrumentos tecnológicos e
científicos que puderam ser desenvolvidas graças à existência do instrumental
matemático. É inegável que, como matemáticos e educadores matemáticos, não
podemos ser responsabilizados pelo mau uso que se faz desse instrumental.
Mas, sim, temos responsabilidade na formação integral dos nossos alunos. É
natural, portanto, nos perguntarmos “onde foi que erramos?”, “por que
persistimos no erro?”. Somos levados a concluir que fomos capazes de
transmitir bons conhecimentos, mas fomos incapazes de transmitir valores e
uma ética maior. Façamos uma reflexão sobre a
origem das idéias matemáticas. Como surge a matemática? A matemática, como o
conhecimento em geral, é resposta aos pulsões de
sobrevivência e de transcendência, que sintetizam a questão existencial da
espécie humana. A espécie cria teorias e práticas que resolvem a questão
existencial. Essas teorias e práticas são a base de
elaboração de conhecimento e decisões de comportamento, a partir de
representações da realidade. As representações respondem à percepção de
espaço e tempo. A virtualidade dessas representações, que se manifesta na
elaboração de modelos, distingue a espécie humana das demais espécies
animais. Em todas as espécies vivas, a
questão da sobrevivência é resolvida por comportamentos de resposta imediata,
aqui e agora, elaborada sobre o real e recorrendo a experiências prévias
[conhecimento] do indivíduo e da espécie [incorporada no código genético]. O
comportamento se baseia em conhecimentos e ao mesmo tempo produz novo
conhecimento. Essa simbiose de comportamento e conhecimento é o que
denominamos instinto, que resolve a questão da sobrevivência do indivíduo e
da espécie. Na espécie humana, a questão
da sobrevivência é acompanhada pela da transcendência: o “aqui e agora” é
ampliado para o “onde e quando”. A espécie humana transcende espaço e tempo
para além do imediato e do sensível. O presente se prolonga para o passado e
o futuro, e o sensível se amplia para o remoto. O ser humano age em função de
sua capacidade sensorial, que responde ao material [artefatos], e de sua
imaginação, muitas vezes chamada criatividade, que responde ao abstrato [mentefatos]. A realidade material é o
acúmulo de fatos e fenômenos reunidos desde o princípio. O que é o princípio,
em espaço e tempo, é a questão maior de todos os sistemas religiosos,
filosóficos e científicos. A realidade percebida por cada indivíduo da
espécie humana é a realidade natural, acrescida da
totalidade de artefatos e de mentefatos
[experiências e pensares], acumulados por ele e pela espécie [cultura]. Essa
realidade, por meio de mecanismos genéticos, sensoriais e de memória
[conhecimento], informa cada indivíduo. Cada indivíduo processa essa
informação, que define sua ação, resultando no seu comportamento e na geração
de mais conhecimento. O acúmulo de conhecimentos compartilhados pelos
indivíduos de um grupo tem como conseqüência compatibilizar o comportamento
desses indivíduos e, acumulados, esses conhecimentos compartilhados e
comportamentos compatibilizados constituem a cultura do grupo. Vivemos no momento o apogeu
da ciência moderna, que é um sistema de conhecimento que se originou na bacia
do Mediterrâneo, há cerca de 3000 anos, e que se impôs a todo o planeta. Essa
rápida evolução é um período pequeno em toda a história da humanidade e não
há qualquer indicação que será permanente. O que virá depois? Sem dúvida,
como sempre aconteceu com outros sistemas de conhecimento, a própria ciência
moderna vai desenvolvendo os instrumentos intelectuais para sua crítica e
para a incorporação de elementos de outros sistemas de conhecimento. Esses instrumentos
intelectuais dependem fortemente de uma interpretação histórica dos
conhecimentos de egípcios, babilônicos, judeus, gregos e romanos, que estão
nas origens do conhecimento moderno. Nota-se, no decorrer de quase
três milênios, transições entre o qualitativo e o quantitativo na análise de
fatos e fenômenos. O que poderíamos chamar o raciocínio quantitativo dos
babilônicos deu lugar a um raciocínio qualitativo, característico dos gregos,
que prevaleceu durante toda a Idade Média. A modernidade se deu com a
incorporação do raciocínio quantitativo, possível graças à aritmética [ticas=arte dos números] feita com algarismos indo-arábicos e posteriormente as extensões de Simon Stevin [decimais] e de de John Neper [logaritmos], culminando com os computadores. Nessa
evolução foi privilegiado o raciocínio quantitativo, que
pode ser considerado a essência da modernidade. Mais recentemente
vemos uma busca intensa de raciocínio qualitativo, particularmente através da
inteligência artificial, o que está em sintonia com a intensificação do
interesse pelas etnomatemáticas, cujo caráter qualitativo é fortemente
predominante. Um outro aspecto a ser notado
na evolução do pensamento ocidental é a subordinação de um pensamento global,
como era predominante nas culturas nas margens ao sul do Mediterrâneo, pelo pensamento seqüencial, que se tornou uma característica da
filosofia grega. Isso vem culminar no pensamento de René Descartes, cujo
resultado é a organização disciplinar, que prevaleceu sobre
as propostas holísticas de Jan Comenius. Estamos vivendo agora um
momento próximo à efervescência intelectual da Idade Média. Justifica-se,
portanto, falar em um novo renascimento. Etnomatemática é um dos indicadores
desse novo renascimento. É importante notar que a
aceitação e incorporação de outras maneiras de analisar e explicar fatos e
fenômenos, como é o caso das etnomatemáticas, se dá sempre em paralelo com
outras manifestações da cultura. Isso é evidente nas duas tentativas de
introdução na Europa do sistema indo-arábico na
Europa, pelo Papa Sivestre II, no século XI e por Leonardo de Pisa, no século
XIII. Para o modelo econômico e a tecnologia que prevaleciam no século XI, o
novo sistema ensinado por Silvestre II pouco acrescentava. Para o mercantilismo
que começava a se desenvolver no século XIII, bem como para os avanços da
ciência experimental da Baixa Idade Média, a aritmética apreendida dos árabes
era essencial. Esse paralelo entre as idéias matemáticas e o modelo econômico
foi reconhecido por Frei Vicente do Salvador ao comentar sobre a aritmética
dos indígenas brasileiros. Contavam pelos dedos das mãos e, se necessário,
dos pés. E o historiador explica que com isso satisfaziam perfeitamente todas
as necessidades de seu cotidiano [de sobrevivência] e de seus sistemas de
explicações [de transcendência]. Não conheciam outros sistemas por que não
havia razão para tal. Hoje, querem calculadoras por que são essenciais para
suas relações comerciais. Os recentes resultados de
testes, provas e provões, mostram que o ensino da
matemática vai mal. Os rendimentos estão cada vez piores, não só no Brasil,
mas em todo o mundo. Será isso um indicador de menor criatividade dos jovens
de hoje ou de irresponsabilidade, como pretendem muitos analistas da juventude?
Não vejo assim. Acredito que esses resultados considerados negativos traduzem
uma forma inconsciente de manifestar sua descrença num futuro que, ao que
tudo indica, dará continuidade ao presente. Essa forma de se manifestar, que
alcançou proporções dramáticas em 1968, hoje se dá de outra forma, um tipo de
niilismo, com recurso a drogas, violências e protestos como esse que se
manifesta nas provas. Será impossível entendermos o
comportamento da juventude de hoje e, portanto, avaliarmos o estado da
educação, sem recorrermos a uma análise do momento cultural que os jovens
estão vivendo. Isso nos leva a examinar o que se passa com a disciplina
central nos currículos, que é a matemática. Não apenas da própria disciplina,
o que leva a reflexões, necessariamente, interculturais
sobre história e filosofia da matemática, mas, igualmente necessário, sobre
como a matemática se situa hoje na experiência, individual e coletiva, de
cada indivíduo. Do ponto de vista acadêmico,
muitas idéias novas foram apresentadas neste congresso e todos aprendemos
muito. Não se faz etnomatemática sem a oportunidade de aprender o que outros
fazem. Alguém que trabalhou no Xingu, quase toda a sua vida, vem trocar
idéias com alguém que mergulhou na cultura tradicional da China. E despertam o interesse daquele que teve uma formação matemática
acadêmica, sem outra preocupação que assimilar bem o conteúdo dos programas
das várias disciplinas do curso de matemática. O principal na
etnomatemática é justamente ter essa visão cultural da humanidade como um
todo, que resulta do intercâmbio de idéias entre indivíduos com experiências
as mais diversas. Mais do que em qualquer outra
área do conhecimento, esse encontro é fundamental na etnomatemática. Aprendemos muito a partir de outros, a partir do que os
outros fazem, do que outros viram e
interpretaram. Seria impossível atingir, sozinho, o corpo de conhecimentos
que caracteriza um “etno”. Na ciência ocidental, pretende-se um conhecimento
universal, descontextualizado. Na etnomatemática a contextualização é
fundamental. As idéias matemáticas,
particularmente comparar, classificar, quantificar, explicar, generalizar e,
de algum modo, avaliar, são formas de pensar presentes em
toda a espécie humana. A atenção dos cientistas da cognição tem sido crescentemente
dirigida a essa característica da espécie. A nova ciência da cognição vem
recebendo grande contribuição de neurologistas e o surgimento do pensamento
matemático na espécie e em indivíduos têm sido objeto de intensa pesquisa. O
cérebro já está bem conhecido. Sabemos muito sobre a
massa craniana. Pretendeu-se até privilegiar lóbulos cranianos para ações
específicas! Mas onde está a capacidade de preferir uma cor sobre outra, a
razão por que um cheiro desperta emoções. Entre mente e cérebro há uma
diferença fundamental. Hoje as atenções estão voltadas para estudos da mente,
ou estudos da consciência. Essa área de pesquisa é chamada por muitos a última fronteira da ciência. O que é pensar? O que é
consciência? Os estudos da mente ou estudos da consciência, comuns entre
neurologistas, inclusive neurocirurgiões, vêm atraindo crescente interesse de
matemáticos e físicos teóricos. Claro, para se conhecer
humanos é importante conhecer aqueles seres vivos que têm alguma similaridade
com os humanos. Os primatas, que têm cerca de 98% idêntico aos humanos, têm
sido objeto de muita pesquisa. Igualmente importante é criar aparelhos
automatizados e modelos que, ao menos parcialmente, executem funções próximas
àquelas desempenhadas pelos humanos. É o campo da robótica e da inteligência
artificial. Nota-se nos primatas a
emergência de um pensamento de natureza matemática, privilegiando o
quantitativo. E sem dúvida, as calculadoras e os computadores têm se mostrado muito eficientes no tratamento quantitativo. Mas voltemos à nossa espécie,
onde as idéias de comparar, classificar, quantificar, explicar, generalizar
e, de algum modo, avaliar, aparecem como
características. A espécie homo sapiens sapiens é nova. É identificada há cerca de 40 mil
anos. As espécies que a precederam, os australopitecos,
surgiram, onde hoje é a Tanzânia, há cerca de 5 milhões de anos e se
espalharam por todo planeta. Nessa expansão as espécies vão se transformando,
sob influência de clima, alimentação e vários outros fatores, e vão desenvolvendo
técnicas e habilidades que permitem sua sobrevivência nas regiões novas que
vão encontrando. Ao se deparar com situações novas, reunimos experiências de
situações anteriores, adaptando-as às novas circunstâncias e assim
incorporando à memória novos fazeres e saberes. As maneiras
e modos de lidar com as situações vão sendo compartilhadas, graças a
um elaborado sistema de comunicação, e transmitidas, difundidas. Embora o
conhecimento seja gerado individualmente, a partir de informações recebidas
da realidade, no encontro com o outro se dá o fenômeno da comunicação, talvez
a característica que mais distingue a espécie humana das demais espécies. Via
comunicação, as informações captadas por um indivíduo são enriquecidas pelas
informações captadas pelo outro. O conhecimento gerado pelo indivíduo, que é
resultado do processamento da totalidade das informações disponíveis, é,
também via comunicação, compartilhado, ao menos parcialmente, com o outro.
Isso se estende, obviamente, a outros e ao grupo. Assim, desenvolve-se o
conhecimento compartilhado pelo grupo. O comportamento de cada indivíduo,
associado ao seu conhecimento, é, conseqüentemente, modificado pela presença
do outro, em grande parte pelo conhecimento das conseqüências para o outro.
Isso é recíproco e, assim, o comportamento de um indivíduo é compatibilizado
com o comportamento do outro. Obviamente, isso se estende a outros e ao
grupo. Cultura é o conjunto de conhecimentos compartilhados e
comportamentos compatibilizados. Temos evidência de uma
espécie, um tipo de australopiteco, que viveu há
cerca de 2,5 milhões de anos e utilizou instrumentos de pedra lascada para
descarnar animais. É fácil entender que ao se alimentar de um animal abatido,
a existência de um instrumento, como uma pedra lascada, permite raspar o
osso, e assim não só aproveitar todos os pedacinhos, mas também retirar dos
ossos nutrientes que não seriam acessíveis ao comer só com os dentes. A
espécie passou a ter mais alimento, de maior valor nutritivo. Esse parece ter
sido um fator decisivo no aprimoramento do cérebro das espécies que dominaram
essa tecnologia. O que tem
isso a ver com etnomatemática? Na hora em que esse australopiteco escolheu e lascou um pedaço de pedra, com
o objetivo de descarnar um osso, a sua mente matemática se revelou. Para
selecionar a pedra é necessário avaliar suas dimensões, e lascá-la o
necessário e o suficiente para cumprir os objetivos a que ela se destina,
exige avaliar e comparar dimensões. Mas avaliar e comparar
dimensões é uma das manifestações mais elementares do pensamento
matemático. Esse é um primeiro exemplo de como o homem desenvolve os
instrumentos materiais e intelectuais para lidar com o seu ambiente. Um
primeiro exemplo de etnomatemática é aquela desenvolvida pelos autralopitecos do neolítico. O homem busca explicações
para tudo isso e, naturalmente, associa essas explicações ao que vê mas não
entende: clima, dia e noite, astros no céu. O que está acontecendo, o que se
percebe e se sente a todo instante, podem ser indicadores do que vai acontecer.
Esse é o mistério. Buscar explicações para o mistério que relaciona causas e
efeitos é um importante passo na evolução das espécies homo. Sistemas
de explicações para as causas primeiras são organizados [mitos de criação]. A
morte, tão evidente, talvez não seja um fim, mas o encontro com as causas
primeiras. O que acontece após a morte? Ocorre uma pergunta ainda mais
prática: o que vai se passar no momento seguinte? Quais as conseqüências do
que estou vendo agora? Do que estou fazendo agora? Só o responsável pelas
causas primeiras [um divino] poderia conhecer o mistério do que vai se
passar. Como perguntar ao divino o que vai acontecer? Através de técnicas de
“consulta” ao divino. Essas técnicas são as chamadas artes divinatórias. Como
influenciar o divino para que aconteça o desejável, o necessário, o
agradável? Através de culto, sacrifício, magia. As religiões são sistemas de
conhecimento que permitem mergulhar no passado, explicando as causas
primeiras, desenvolvendo um sentido de história e organizando tradições, e
influenciar o futuro. O conhecimento das tradições é compartilhado pelo um
grupo. Continuar a pertencer ao grupo após a morte depende de assumir, em
vida, o comportamento que responda ao conhecimento compartilhado. Esse
comportamento, compatível e aceito pelo grupo, é subordinado a parâmetros,
que chamamos valores. Uma das coisas mais
importantes no nosso relacionamento com o meio ambiente é a obtenção de
nutrição e de proteção das intempéries. Conhecendo o meio ambiente, temos
condições de fazer com que a capacidade de proteger e nutrir dependa menos de
fatores como o tempo. Ao dominar técnicas de agricultura e de pastoreio e de
construções, os homens puderam permanecer num mesmo local, nascer e morrer no
mesmo local. Perceberam o tempo necessário para a germinação e para a
gestação, o tempo que decorre do plantio à colheita. Num certo momento, uma
configuração no céu coincide com plantinhas que começam a brotar. É uma
mensagem divina. Aprende-se a interpretar essas mensagens, que geralmente são
traduzidas em períodos característicos do que chamamos as estações do ano. A inseminação foi mais
difícil de ser percebida, mas o tempo que vai da gestação ao nascimento é
mais facilmente reconhecido. A regularidade do ciclo menstrual e o
relacionamento de sua interrupção com a gestação são logo reconhecidos. O
reconhecimento e registro do ciclo menstrual, associado às fases da Lua,
parece ter sido uma das primeiras formas de etnomatemática. A agricultura teve grande
influência na história das idéias dos povos da bacia do Mediterrâneo. As
teorias que permitem saber quais os momentos adequados para o plantio surgem
subordinadas às tradições. Chamar essas estações e festejar a sua chegada,
como um apelo e posterior agradecimento ao responsável pela regularidade, um
divino, marcam os primeiros momentos de culto e de religião. A associação de
religião com astronomia, com a agricultura e com a fertilidade é óbvia. A matemática começa a se
organizar como um instrumento de análise das condições do céu e das necessidades
do cotidiano. Eu poderia continuar descrevendo como, aqui e ali, em todos os
rincões do planeta e em todos os tempos, foram se desenvolvendo idéias
matemáticas, importantes na criação de sistemas de conhecimento e,
conseqüentemente, comportamentos, necessários para lidar com o ambiente, para
sobreviver, e para explicar o visível e o invisível. A cultura, que é o conjunto de comportamentos
compatibilizados e de conhecimentos compartilhados, inclui valores. Numa
mesma cultura, os indivíduos dão as mesmas explicações e utilizam os mesmos
instrumentos materiais e intelectuais no seu dia-a-dia. O conjunto desses
instrumentos se manifesta nas maneiras, nos modos, nas habilidades, nas
artes, nas técnicas, nas ticas de lidar com o ambiente, de entender e
explicar fatos e fenômenos, de ensinar e compartilhar tudo isso, que é o matema próprio ao grupo, à comunidade, ao etno.
O conjunto de ticas de matema num
determinado etno é o que chamo etnomatemática. Claro, em ambientes
diferentes, as etnomatemáticas são diferentes. Os esquimós no Círculo Polar
Ártico quando estão procurando se nutrir, não podem pensar em plantar e,
portanto, não desenvolveram agricultura. Mas se dedicaram à pesca. Eles têm
que saber qual a boa hora de pescar. Devem pescar muito, talvez todo o dia.
Mas o dia [claro] dura seis meses e a noite [escura]
seis meses. Portanto, sua percepção dos céus e das forças que influenciam seu
dia-a-dia é muito distinta daqueles que tem seu cotidiano na região do
Mediterrâneo ou na faixa equatorial. Sua Astronomia e sua Religião são
distintas daquelas que surgiram na região do Mediterrâneo ou na faixa
equatorial, bem como as maneiras de lidar com seu cotidiano. Sua
etnomatemática é diferente. Uma das coisas principais que
aparece no início do pensamento matemático são as maneiras de contar o tempo.
Na História da Matemática [e agora falo da matemática acadêmica], que tem sua
origem na Grécia, os grandes nomes são ligados à Astronomia. A Geometria, na
sua origem e no próprio nome, está relacionada com as medições de terreno.
Como nos conta Heródoto, a geometria foi apreendida dos egípcios, onde era
mais que uma simples medição de terreno, tendo tudo a ver com o sistema de
taxação de áreas produtivas. Por trás desse desenvolvimento, vemos todo um
sistema de produção e uma estrutura econômica, social e política, exigindo
medições da terra e, ao mesmo tempo, aritmética para lidar com a economia e
com a contagem dos tempos. Enquanto esse sistema de
conhecimento se desenvolvia, há mais de 2.500 anos, nas civilizações em torno
do Mediterrâneo, os indígenas aqui da Amazônia estavam também tentando
conhecer e lidar com o seu ambiente, desenvolvendo sistemas de produção e
sistemas sociais, que igualmente necessitavam medições de espaço e de tempo.
Igualmente os esquimós, as civilizações andinas, e aquelas da China, da
Índia, da África sub-Sahara, enfim de todo o
planeta. Todas estavam desenvolvendo suas maneiras de conhecer. Conhecer o que? Sistema de
conhecimento do que? Sistema de conhecimento que permitem a sobrevivência, mas
que igualmente respondem a questões fundamentais, tais como: de onde eu vim?
para onde eu vou? qual é o meu passado e o passado da minha gente? qual é o
futuro meu e da minha gente? como ir além do momento atual, mergulhar nos
meus questionamentos e objetivos, no passado e no futuro? como transcender o
aqui e agora? Sistema de conhecimento é o
conjunto de respostas que um grupo dá aos pulsões de
sobrevivência e de transcendência, inerentes à espécie humana. São os fazeres
e os saberes de uma cultura. Há cerca de 2500 anos surge
uma alternância de poder na região do Mediterrâneo. Egípcios e babilônicos
alternam sua hegemonia, subordinando seu conhecimento e comportamento a um
amplo politeísmo. São desafiados pela grande inovação,
proposta pelos judeus, de um deus único e abstrato. Os gregos e, logo
a seguir, os romanos, igualmente politeístas, expandem o domínio do
Mediterrâneo para o leste, conquistando civilizações milenares, como as da
Pérsia e da Índia, e para o norte europeu, conquistando os povos bárbaros.
Grécia e Roma impõem seus sistemas de conhecimento e sua organização social e
política. Com a adoção do monoteísmo cristão, Roma impõe sua ciência,
tecnologia, filosofia, política e religião à grande parte da Eurásia acima do
Trópico de Câncer. O Império Romano, impondo
suas maneiras de responder aos pulsões de
sobrevivência e de transcendência, mostrou-se eficiente no encontro com
outras culturas, tendo sucesso na conquista e na expansão. O apogeu desse
sucesso se dá na transição do século XV para o século XVI. Em cerca de 25
anos, navegadores de Espanha e de Portugal circunavegaram o globo. Foram logo
acompanhados por outras nações européias e, através dos mares, foram para o
Norte, Sul, Leste, Oeste, para todos os lados, conquistando povos e levando
as explicações e modos de lidar com o ambiente, modos e estilos de produção e
de poder. Iniciou-se o processo de globalização do planeta. Claro que ao falar em conquista estamos
admitindo um conquistador e um conquistado. O conquistador não pode deixar o
conquistado se manifestar. A estratégia fundamental no processo de conquista,
de um indivíduo, grupo ou cultura [dominador] é manter o outro indivíduo,
grupo ou cultura [dominado] inferiorizado. Uma forma, muito eficaz, de manter
um indivíduo, grupo ou cultura inferiorizado é enfraquecer as raízes que dão
força à cultura, removendo os vínculos históricos e a historicidade do
dominado. Essa é a estratégia mais eficiente para efetivar a conquista. A remoção da historicidade implica na remoção
da língua, da produção, da religião, da autoridade, do reconhecimento da
terra e da natureza e dos sistemas de explicação em geral. Por exemplo, hoje
qualquer índio sabe o Pai Nosso e crê em Deus e em Cristo, embora todo esse
sistema tenha nada a ver com suas tradições. Ao remover o sistema de
produção, o dominado passa a comer e a gostar do que o dominador come. Os
sistemas de sobrevivência e de transcendência são substituídos. Os sistemas
dos conquistados foram simplesmente eliminados e, em alguns casos, o próprio
indivíduo conquistado foi eliminado, numa evidente prática de genocídio. Durante cerca de 300 anos criou-se a figura do culturalmente excluído. Não só a cultura foi
eliminada, mas também indivíduos dessa cultura, como aconteceu com os indígenas
na costa Atlântica das Américas e no Caribe, foram exterminados. Em poucos
casos, alguns indivíduos sobreviveram. Ou foram cooptados e assimilados à
cultura do dominador ou se mantiveram como grupos culturais marginalizados e
excluídos. Uma cultura latente, muitas vezes disfarçada ou clandestina, se
manteve nessa clandestinidade durante o período da colonização. Nas escolas ocorre uma situação semelhante.
A escola ampliou-se, acolhendo jovens do povo, aos quais se oferece a
possibilidade de acesso social. Mas esse acesso se dá em função de
resultados, que são uma modalidade de cooptação. Sistemas adequados para a
seleção dos que vão merecer acesso são criados e justificados por
convenientes teorias de comportamento e de aprendizagem. Um instrumento seletivo
de grande importância é a linguagem. O latim foi padrão, depois substituído
pela norma culta da linguagem. Mas não só a linguagem. Logo a matemática
assumiu o papel de instrumento de seleção. Ainda hoje, quanta criança se inibe ao falar porque sabe que
fala errado e, como não é capaz de falar certo, silencia. E quanta criança
ainda é punida por fazer contas com os dedos! Como explicar o que se passa com povos,
comunidades e indivíduos no encontro com o diferente? Cada indivíduo carrega
consigo raízes culturais, que vem de sua casa, desde que nasce. Aprende dos
pais, dos amigos, da vizinhança, da comunidade. O indivíduo passa alguns anos
adquirindo essas raízes. Ao chegar à escola, normalmente existe um processo
de aprimorar, transformar e substituir essas raízes. É o que se passa no
processo de conversão religiosa. O momento de encontro cultural tem uma
dinâmica muito complexa. Esse encontro se dá entre povos, como se passou na
conquista e na colonização, entre grupos e, igualmente, no encontro da criança
ou do jovem, que tem suas raízes culturais, com a outra cultura, a cultura da
escola, com a qual o professor se identifica. O processo civilizatório,
e podemos dizer o mesmo do processo escolar, é essencialmente a condução
dessa dinâmica. Geralmente tem resultados negativos e perversos, que se
manifestam sobretudo no exercício de poder e na eliminação ou exclusão do
dominado. Poderia também ter resultados positivos e criativos, que se
manifestam na criação do novo. Tanto a conversão quanto a exclusão depende
do indivíduo esquecer e mesmo rejeitar suas raízes. Mas um indivíduo sem
raízes é como uma árvore sem raízes ou uma casa sem alicerces. Cai no
primeiro vento! Indivíduos sem raízes sólidas estão fragilizados,
não resistem a assédios. O indivíduo tem que ter um referencial e esse
referencial se situa nas suas raízes, não nas raízes de outros. Se não tiver
raízes, ao cair se agarra a outro e entra num processo de dependência, campo
fértil para a manifestação perversa de poder de um indivíduo sobre outro.
Estamos assistindo esse processo nos sistemas escolares e na sociedade. É o
poder dos que sabem mais, dos que têm mais, dos que podem mais. O poder do
dominador se alimenta do quê? Esse poder só pode ter continuidade se tiver
alguém que dependa dele, que se agarre a ele. E quem vai se agarrar a ele?
Com toda certeza aqueles que não tem raízes. Essa foi a eficiente estratégia adotada
pelo colonizador. Eliminar a historicidade do conquistado, isto é, eliminar
suas raízes. O processo de descolonização, que se manifesta na adoção de uma
bandeira, um hino, uma constituição, é incompleto se não reconhecer as raízes
culturais do colonizado. A etnomatemática se encaixa nessa reflexão sobre a descolonização
e a verdadeira abertura de possibilidades de acesso para o subordinado, para
o marginalizado e para o excluído. A estratégia mais promissora para a
educação nas sociedades em transição da subordinação para a autonomia é
restaurar a dignidade de seus indivíduos, reconhecendo e respeitando suas
raízes. Essa é, no meu pensar, a vertente mais importante da etnomatemática. Reconhecer e respeitar as raízes de um
indivíduo não significa ignorar e rejeitar as raízes do outro, mas num
processo de síntese, reforçar suas próprias raízes. No caso da educação matemática, a proposta
da etnomatemática não significa a rejeição da matemática acadêmica, como
sugere o título tão infeliz que o jornal Chronicle
of Higher Education
deu para uma excelente matéria que publicou sobre etnomatemática: “Good Bye, Pythagoras”.
Não se trata de ignorar nem rejeitar a matemática
acadêmica, simbolizada por Pitágoras. Por circunstâncias históricas,
gostemos ou não, os povos que, a partir do século XVI, conquistaram e
colonizaram todo o planeta, tiveram sucesso graças ao conhecimento e
comportamento que se apoiava em Pitágoras e seus companheiros da bacia do
Mediterrâneo. Hoje, é esse conhecimento e comportamento, incorporados na
modernidade, que conduz nosso dia-a-dia. Não se trata de ignorar nem rejeitar
conhecimento e comportamento modernos. Mas sim aprimora-los,
incorporando a ele valores de humanidade, sintetizados numa ética de
respeito, solidariedade e cooperação. Conhecer e assimilar a cultura do dominador
se torna positivo desde que as raízes do dominado sejam fortes. Na educação
matemática, a etnomatemática pode fortalecer essas raízes. De um ponto de
vista utilitário, que não deixa de ser muito importante como uma das metas da
escola, é um grande equívoco pensar que a etnomatemática pode substituir uma boa matemática
acadêmica, que é essencial para um indivíduo ser atuante no mundo moderno.
A etnomatemática terá utilidade muito limitada na sociedade moderna. Mas,
igualmente, muito da matemática acadêmica é absolutamente inútil na sociedade
moderna. Quando digo boa matemática
acadêmica estou excluindo o que é desinteressante, obsoleto e inútil,
que, infelizmente, domina os programas vigentes. É óbvio que uma boa matemática acadêmica
será conseguida se deixarmos de lado muito do que está nos programas sem
outra justificativa que um conservadorismo danoso e uma justificativa de
caráter propedêutico: “é necessário aprender isso para adquirir base para poder aprender aquilo”. O fato é que o “aquilo” deve cair fora e, com maior
razão, o “isso”. Por exemplo, é inadmissível pensar hoje em
aritmética e álgebra sem a plena utilização de calculadoras. O raciocínio quantitativo, que dominou a educação matemática e a
própria matemática a partir da Baixa Idade Média, está hoje integrado
nas calculadoras e computadores. O raciocínio qualitativo é a grande contribuição
para ramos da matemática que se desenvolveram na segunda metade do século XX,
tais como estatística, probabilidades, programação, modelagem, fuzzies e fractais. O raciocínio qualitativo, também chamado
analítico, esboçado a partir do século XVII, deve ser incorporada aos
programas, naturalmente com ampla utilização de computadores. Esse tipo de
raciocínio é essencial para se chegar a uma nova organização da sociedade e é
o que permite exercer crítica e análise do mundo em que vivemos. A etnomatemática privilegia o raciocínio qualitativo. Um enfoque etnomatemático sempre está ligado a uma questão maior, de
natureza ambiental ou de produção, e a etnomatemática raramente se apresenta
desvinculada de outras manifestações culturais, tais como arte e religião. A
etnomatemática se enquadra perfeitamente numa concepção multicultural
e holística de educação. O multiculturalismo
está se tornando a característica mais marcante da educação atual. Com a
grande mobilidade de pessoas e famílias, as relações interculturais
serão muito intensas. O encontro intercultural gera
conflitos que só poderão ser resolvidos a partir de uma ética que resulta do
indivíduo conhecer-se e conhecer a sua cultura e respeitar a cultura do
outro. O respeito virá do conhecimento. De outra maneira, o comportamento
revelará arrogância, superioridade e prepotência, o que resulta,
inevitavelmente, em confronto e violência. Nossa missão de educadores tem como
prioridade absoluta obter PAZ nas gerações seguintes. Não podemos nos
esquecer que as gerações futuras viverão num ambiente multicultural,
suas relações serão interculturais e seu dia-a-dia
será impregnado de tecnologia. Talvez convivam humanos com indivíduos clonados e transgênicos e mesmo
com andróides. Um cenário de ficção, como se vê nos filmes “Caçador de
Andróides” e “Matrix”, pode se tornar realidade.
Não sabemos como lidar com isso. As gerações futuras é que vão organizar o
mundo do futuro. Não sabemos o que fazer num futuro tão diferente. A maneira
como as gerações passadas lidaram com o futuro, ancorada em todo o
conhecimento oferecido pela modernidade, deu o nosso presente. Um presente
angustiante, de iniqüidades, injustiças, arrogância, exclusão, destruição
ambiental, conflitos inter e intraculturais,
guerras. Não é isso que quero legar para meus bisnetos e tataranetos e
gerações futuras. Como podemos dizer a eles como devem construir seu mundo de
paz e de felicidade? O futuro será construído por eles. O que
podemos oferecer a eles para construir um futuro sem os males do presente?
Como educadores, podemos oferecer às crianças de hoje, que constituem a
geração que em vinte ou trinta anos estará em posição de decisão, uma visão
crítica do presente e os instrumentos intelectuais e materiais que dispomos
para essa crítica. Estamos vivendo uma profunda transição, com maior
intensidade que em qualquer outro período da história, na comunicação, nos
modelos econômicos e sistemas de produção, e nos sistemas de governança e tomada de decisões. A educação nessa transição não pode
focalizar a mera transmissão de conteúdos obsoletos, na sua maioria
desinteressantes e inúteis no momento atual, e inconseqüentes na construção
de uma nova sociedade. O mais que podemos fazer para as nossas crianças é
oferecer a elas os instrumentos comunicativos, analíticos e materiais para
que elas possam viver, com capacidade de crítica, numa sociedade multicultural e impregnada de tecnologia. Vejo aí a nossa grande missão como
educadores. E como educadores matemáticos, temos que estar em sintonia com a
grande missão de educador. Está pelo menos equivocado o educador matemático
que não percebe que há muito mais na sua missão de educador do que ensinar a
fazer continhas ou a resolver equações e problemas absolutamente artificiais,
mesmo que, muitas vezes, com a aparência de estar se referindo a fatos reais. A proposta
pedagógica da etnomatemática é fazer da matemática algo vivo, lidando com
situações reais no tempo [agora] e no espaço [aqui]. E por meio da crítica,
questionar o aqui e agora. Ao fazer isso, mergulhamos nas raízes culturais e
praticamos dinâmica cultural. Por tudo isso, eu vejo a etnomatemática
como um caminho para uma educação renovada, capaz de preparar gerações
futuras para construir uma civilização mais feliz. Muito obrigado. |
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Notas |
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[1] Palestra de encerramento
do Primeiro Congresso Brasileiro de Etnomatemática, Faculdade
de Educação da Universidade
de São Paulo, 1-4 de novembro
de 2000 (transcrição, com
ligeira revisão, da gravação). [2] Presidente
do International Study Group on Ethnomathematics - ISGEm. |
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Movimento |
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